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VINHO: Comparações com o Café...

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O café pode ser comparado ao vinho por diversos fatores. Um deles é o fato de possuir, assim como o vinho, uma região no globo terrestre específica para sua cultura (O café entre os tropicos, passando principalmente pela linha do equador; e o vinho nos trópicos - câncer e caprocónio - especificamente). Outro fator comum a ambos, é todo o processo pelo qual a fruta passa até chegar a seu consumidor final. Outro ainda é o fato de os vinhos possuirem regiões demarcadas, de origem controlada, sendo que o café está começando a ir pelo mesmo caminho (por exemplo, a região demarcada do Café do Cerrado, em Minas Gerais). Há também a semelhança quanto à sua degustação, onde se procura tirar o melhor que o café tem a oferecer através da visão, do olfato, da gustação...

Para melhor compreendermos essas semelhanças (Claro que cada qual com suas especificidades), vejamos algumas informações básicas sobre os vinhos:

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[Imagem retirada da Internet]

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O vinho é considerado uma das mais antigas bebidas do mundo. Numa espécie de anuário do antigo Egito (cerca de 3.000 a.C.) encontrou-se suas primeiras referências. Existem as Vitis Viníferas, de origem européia e as Vitis Labrusca, Vitis Aestivalis, etc..., de origem americana. As que produzem os vinhos mais finos são as européias.

Eis alguns exemplos de viníferas:

Tintas: Cabernet Sauvignon; Cabernet Franc; Merlot; Pinot Noir; Gamay Beaujolais; etc...

Brancas: Chardonay; Pinot Blanc; Gewürztraminer; Riesling Itálica; Riesling Renana; Sauvignon Blanc, etc…

As regiões mais propícias para a cultura da videiras de vinho fino (Vitis Vinífera) são as que se situam entre 30º e 50º de latitude (tanto a norte quanto a sul do equador), ou seja, locais de clima mediterrâneo e temperado.

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A elaboração do vinho tinto segue o seguinte processo:

Vindima ou colheita da uva.
Recepção na Cantina.
Esmagamento e desengaçamento.
Fermentação tumultuosa (ou 1ª Fermentação).
Descuba.
Fermentação lenta (ou 2ª Fermentação).
Clarificação e estabilização.
Trasfegas e atestos.
Corte.
Envelhecimento em tonel de carvalho.
Filtração.
Engarrafamento e rotulagem.
Envelhecimento na garrafa e expedição.

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A elaboração do vinho branco segue o seguinte processo:

Vindima ou colheita da uva.
Recepção na Cantina.
Esmagamento e desengaçamento.
Sulfitagem (Adição de dioxido de enxofre).
Esgotamento.
Prensagem.
Decantação.
Fermentação.
Estabilização refrigerada.
Trasfegas e atestos.
Conservação.
Corte.
Engarrafamento e rotulagem
Expedição.

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A elaboração do vinho rosado: Estes podem ser elaborados por dois processos:

Clássico, onde o mosto de uvas tintas é fermentado junto com as cascas durante tempo suficiente para que adquira a cor desejada (onde as etapas seguintes serão idênticas às do vinho branco). Qualidade inferior, onde há um corte de vinho tinto com vinho branco, misturando-se os dois até que se atinja a cor desejada.

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A elaboração dos espumantes:

O Champagne ou espumante pode ser elaborado só com uvas brancas – blanc de blancs – ou só com uvas tintas – blanc de noirs.

Há três métodos principais de preparação: Champenoise, Charmat e Asti.

Método Champenoise: é mais artesanal, mais oneroso e cada vez mais raro. Os Champagnes (Região de Champagne, na França) são todos elaborados por este método. O método consiste numa 2ª fermantação dentro da garrafa, tornando-se espumante. Esta fermentação dura aproximadamente três meses, mas as garrafas ficam na adega por mais 1 ou 2 anos até estarem prontas para a remuage. A remuage é uma agitação das garrafas colocadas em pupitres, onde se gira 1/8 de volta por dia durante 2 meses. Fáz-se então o dégorgement (congelamento do gargalo da garrafa para remoção das impurezas). Após o dégorgement completa-se a garrafa com vinho de mesma qualidade e adiciona-se o liqueur d’expedition (mistura de vinho velho com cognac e açúcar) e então a rolhagem definitiva.

Método Charmat: é industrial, menos oneroso e mais comum. Aqui, a 2ª fermentação é provocada em grandes recipientes fechados chamados de autoclaves. De seguida é colocado para descançar durante alguns meses. Ao término desta fase são realizadas a decantação, a filtração e a adição do liqueur d’expedition e por fim o engarrafamento em baixas temperaturas e sob pressão para não se perder o gás carbônico.

Método Asti: Este vinho espumante é elaborado numa única fermentação dentro dos autoclaves. Normalmente, os Asti são elaborados com uvas moscatel, têm baixa graduação alcoólica e são suaves.

OBS.: Conforme a quantidade de liqueur d’expedition que se coloca, obtêm-se os vários tipos de espumantes: Brut, Extre-sec, Sec, Demi-sec e Doux.

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O servir do vinho é outra arte com regras específicas. Em jantares ou banquetes, em que são servidos diversos pratos e vinhos, deve-se seguir a seguinte ordem de precedência:

Vinho seco antes do suave ou doce.
Vinho branco antes do tinto.
Vinho tinto antes do branco doce.
Vinho leve antes do encorpado.
Vinho jovem antes do envelhecido.
Vinho inferior antes do superior.

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A temperatura ideal para se degustar vinho depende: do tipo de vinho, de quem o irá beber e sobreturo da temperatura em que o ambiente se encontra.

É desgustando o vinho na temperatura correta que conseguimos tirar o melhor que ele nos tem a oferecer, ou seja, onde ele obtêm sua melhor qualidade organoléptica.

Eis as temperaturas ditas ideais:

Champagnes ou espumantes doces - de 4ºC a 6ºC.
Champagnes ou espumantes secos - de 6ºC a 8ºC.
Brancos doces ou suaves - de 6ºC a 8ºC.
Brancos secos - de 6ºC a 8ºC.
Rosados - de 6ºC a 8ºC.
Tinto leve Beaujolais Nouveau - de 10ºC a 12ºC.
Tintos leves em geral - de 16ºC a 18ºC.
Tintos encorpados - de 18ºC a 20ºC.

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A Enogastronomia é a arte de se combinar os vinhos com os alimentos. Vejamos algumas destas combinações:

Caviar, salmão: Vinho branco seco ou champagne brut.
Patê de foie gras: Vinho doce da região de Sauternes.
Frios: Vinho branco ou tinto leve e seco.
Caldos clarificados e cremes: Vinho do Porto seco, Madeira ou Xérèz.
Sopas: Vinho tinto jovem.
Ostras e crustáceos: Vinho branco seco ou champagne brut.
Peixes fritos ou cozidos: Vinho branco seco.
Bacalhau e Haddock: Vinho tinto leve ou verde tinto ou branco.
Ovos (pratos frios): Vinho branco seco.
Ovos (pratos quentes): Vinho tinto ou branco.
Frango ou galinha com molho: Vinho tinto leve e novo ou branco.
Frango ou galinha assados: Vinho tinto leve.
Peru ou pato assado: Vinho tinto encorpado e envelhecido.
Faisão assado: Vinho tinto encorpado e rico em bouquet.
Vitelo de confecção simples: Vinho tinto leve e macio..
Sobremesas: Vinhos doces brancos ou tintos.

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Quanto aos queijos e vinhos, em regra geral, serve-se os queijos mais fortes com vinhos mais fortes e queijos mais suaves com vinhos mais suaves, mas vejamos alguns exemplos de combinações:

Camembert: Brancos secos (Sémillon Blanc) e/ou Tintos leves (Cabernet Franc).
Brie: Tintos marcantes (Cabernet Sauvignon).
Saint-Paulin: Tintos frutados (Cabernet Franc).
Gorgonzola: Tintos encorpados (Merlot Noir).
Gruyère: Tintos leves (Cabernet Franc) e/ou Brancos secos (Sémillon Blanc).
Emmenthal: Brancos frutados (Riesling)
Gouda: Tintos leves (Cabernet Franc) para queijos jovens e Tintos encorpados (Merlot) para queijos maduros.
Itálico: Brancos Demi-sec (Sauvignon Blanc).
Cheddar: Tintos leves e frutados (Cabernet Franc).
Tilsit: Brancos frescos e frutados (Saint-Emilion e Riesling).
Reino: Brancos frutados (Saint-Emilion e Riesling).

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A carta de vinhos também deve seguir algumas regras, a ordenação técnica da carta deve ser:

Vinhos abertos.
Vinhos do País.
Vinhos do continente.
Vinhos de outros continentes.
Espumantes do País.
Champagnes e espumantes estrangeiros.
Vinhos de sobremesa.

Assim temos:

Os vinhos brancos são colocados antes dos tintos.
Os vinhos da região e do País vêm sempre antes dos estrangeiros.

A lista de vinhos é elaborada por ordem crescente de preço.
Devem ser identificados, a safra do vinho, a região de origem e o produtor.
Normalmente a carta de vinhos é impressa, mas também pode ser escrita à mão.
Podem ser usadas algumas ilustrações alusivas ao vinho.
Sempre que necessário, a carta deve ser renovada, com acrescimo de novos vinhos e alteração na lista de preços.

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A longevidade dos vinhos está associada ao tipo de vinho, ao tipo de uvas utilizadas, ao processo de vinificação feito e à forma como é estocado.

Vejamos alguns exemplo de vinhos e sua época ideal de consumo:

Espumante: 1-3 anos / Champagne: 4-6 anos / Champagne datada: 5-10 anos / Branco Graves: 2-5 anos / Branco Sauternes: 2-25 anos / Branco comum: 1-3 anos / Branco Grande: 4-6 anos / Branco Mâcon: 1-3 anos / Branco Gewüstraminer: 1-4 anos / Branco Riesling: 2-6 anos / Branco seco: 1-3 anos / Branco doce: 2-25 anos / Branco QBA: 3-7 anos / Branco Maduro: 1-4 anos / Branco verde: 1-2 anos / Branco Premium: 2-4 anos / Tinto Comum: 4-10 anos / Tinto Grande Guarda: 5-20 anos / Tinto beaujolais nouveau: 1-2 anos (sendo que quanto mais novo melhor) / Tinto Châteauneuf-du-Pape: 4-12 anos / Tinto barbaresco: 5-12 anos / Tinto jovem: 3-6 anos / Tinto envelhecido: 4-10 / Etc...

Pode também ter uma pequena variação conforme país e região.

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Finalmente temos as regras de degustação do vinho, que é feita pelo exame organoléptico, no qual são usados os quatro sentidos: Visão, olfato, paladar e tato.

Exame Visual: O vinho branco deve ser incolor, verde-palha, amarelo claro, amarelo dourado ou amarelo palha. Quanto ao vinho tinto, em se tratando de vinho jovem este deve ser de cor vermelho-violeta ou vermelho-rubi, em se tratando de vinho envelhecido deve ter uma cor mais próxima do vermelho-tijolo. Quanto ao vinho rosado, este deve ter tonalidade que vai do rosa ao alaranjado.

Exame Olfativo: Num primeiro momento (antes de agitar) encontram-se os aromas primários do vinho, ou seja o aroma da própria fruta. A seguir ao agito (movimento giratório) encontram-se os aromas secundários que são formados na fermentação e no envelhecimento e podem ser de flores, de vegetais, de frutas e/ou de minerais. Observação importante: Para os vinhos mais jovens dá-se o nome de aroma; para os vinhos mais envelhecidos dá-se o nome de bouquet.

Exame Gustativo: Deve-se deixar o vinho circular por toda a boca antes de engolí-lo ou cuspí-lo de forma a que todas as regiões da língua sejam tocadas. Aqui se identifica os gostos: ácido, amargo, salgado e doce; bem como as sensações táteis: untuosidade, corpo, aspereza ou adstringência, picante ou agulha e o calor.

Exame final ou retrogosto: Aqui,tenta-se extrair do vinho, algo mais do que foi sentido até agora. O degustador deve levar um gole de vinho à boca aspirando o ar ao mesmo tempo (mantendo os lábios entreabertos). Assim o vinho é aquecido com o calor da boca e volatizado com o ar. A persistência do retro-gosto para mais ou para menos tempo é que mede a qualidade do vinho. Quanto mais tempo se sentir o gosto agradável do vinho na boca, de melhor qualidade ele será.

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REFERÊNCIAS:

 

PACHECO, Aristides de Oliveira. Iniciação à Enologia. São Paulo: Senac, 2006.

SANTOS, José Ivan. Vinhos, O Essencial. São Paulo: Senac, 2006.

 

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[Robertha Nobre Thompson em www.territoriocafe.com]

 

 

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